Sábado, 06 de Outubro de 2007


Embora a psique seja composta de estruturas bastante diversas, muitas vezes  opondo-se  umas às outras, existe entre elas uma forte interação que poderão  dar-se  de três formas:

  Uma estrutura pode compensar a fraqueza da outra, um componente pode se contrapor a outro, e duas ou mais estruturas podem se unir formando uma síntese. 

A compensação pode dar-se, por exemplo, entre o ego e a anima de um homem, assim como o ego e o animus de uma mulher.  O ego normal do homem é masculino enquanto a anima é feminina e na mulher sendo o ego feminino o animus é masculino.  Assim, uma masculinidade exacerbada num homem pode estar mostrando um inconsciente frágil, delicado e sensível, neste caso o inconsciente actua de maneira compensatória proporcionando uma espécie de equilíbrio entre os elementos contrastantes, evitando uma desintegração da psique.

As tensões oriundas dos conflitos entre as instâncias da psique são inevitáveis e imprescindíveis, pois, são elas que constituem a própria essência da vida.   Os conflitos existem porque existem oposições em qualquer parte da personalidade e o ego deve atender às exigências externas da sociedade e às exigências internas do inconsciente colectivo.  

Jung tinha como opinião que sempre era possível haver uma união dos contrários e com isso surgir um terceiro elemento da síntese dos dois numa função que ele chamou de função transcendente. Segundo Hall, "Essa função é dotada da capacidade de unir todas as tendências contrárias da personalidade e de trabalhar para que se atinja a meta da totalidade." (...)

 

Adaptação de texto original de Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

 

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publicado por Sou às 00:30



Os complexos não são em si negativos, os seus efeitos, no entanto, poderão ser.  Porém como são nós de energia que possibilitam a movimentação da psique acabam por se tornarem grandes aliados que impulsionam o ser humano para o desenvolvimento psíquico. Podemos superar um complexo vivendo-o intensamente e compreendendo o papel que exercem nos padrões de comportamento e nas reações emocionais. No sentido positivo, os complexos poderão ser uma fonte de inspiração para futuras realizações.  Von Franz descreve os complexos da seguinte maneira: "Os complexos são os motores da psique. São como diferentes núcleos, que impulsionam e vitalizam a psique. Se não tivéssemos complexos, estaríamos mortos."

Não existe um número fechado de complexos sobre os quais poderíamos discorrer, porém existem aqueles que, pela sua constelação mais frequente, são mais fáceis de serem entendidos e analisados, como o complexo materno, o complexo paterno, o complexo de poder, o complexo de inferioridade, o de superioridade, etc.

Para Jung, o Ego é um complexo; o "complexo do ego".  Diz ele, sobre o Ego: "um dado complexo é formado primeiramente por uma percepção geral do nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros da nossa memória. Todos temos uma certa ideia de já termos existido, quer dizer, da nossa vida em épocas passadas; todos acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois factores são os principais componentes do ego, que nos possibilitam considerá-lo como um complexo de factos psíquicos."

No entanto, o complexo do ego é diferente dos outros complexos, porque se impõe como centro da consciência e atrai para si os demais conteúdos conscientes, visa também, mais do que outro complexo, a totalidade.

adaptado do texto original de  texto de Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

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publicado por Sou às 00:27

 

 

Quando  Jung trabalhava no hospital de Burgholzli, no ano de mil e novecentos, organizou um laboratório experimental de psicopatologia com o objectivo de investigar as reacções psíquicas, através de um teste por ele  desenvolvido; "Teste de Associação de Palavras".  Os resultados deste teste levaram Jung a formular, mais tarde, a teoria dos complexos.

Para Jung os complexos são os caminhos que nos permitem chegar ao inconsciente.  " A via regia que nos leva ao inconsciente, entretanto, não são os sonhos, como ele (Freud) pensava, mas os complexos, responsáveis pelos sonhos e sintomas."

Os complexos têm como núcleo o arquétipo e, em torno deste núcleo vão se concentrando ideias ou pensamentos cheios de afectividade.  Estruturam-se como entidades autónomas quando uma parte da psique for cindida por causa de um trauma, um choque emocional ou um conflito moral.  Quando totalmente inconscientes actuam livremente e podem tomar o ego.  Geralmente, aquelas situações em que ocorrem alterações da consciência e também comportamentais, sem motivo aparente, são manifestações da possessão do complexo sobre o ego.

Jung diz que se pode dizer dos complexos em termos científicos, o seguinte; "(...) o complexo emocionalmente carregado é a imagem de uma determinada situação psíquica com uma carga emocional intensa que se mostra, assim, incompatível com a habitual disposição ou atitude da consciência. Essa imagem é dotada de certa coesão interna, possui a sua própria totalidade e dispõe, ainda, de um grau relativamente alto de autonomia. Isto é, está muito pouco sujeita às disposições da consciência e, por isso, comporta-se na esfera da consciência como um corpus alienum (corpo alheio) cheio de vida..."

Adaptação de texto de Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

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publicado por Sou às 00:23

 

O Self é o centro de toda a personalidade.  Dele emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o ordenador dos processos psíquicos. Conforme Hall observa "O Self é o principal arquétipo do inconsciente colectivo, assim como o sol é o centro do sistema solar. O Self é o arquétipo da ordem, da organização e da unificação; atrai a si e harmoniza os demais arquétipos e suas actuações nos complexos e na consciência, une a personalidade, conferindo-lhe um senso de "unidade” e firmeza."

O objectivo de toda personalidade é chegar ao autoconhecimento que é conhecer o próprio Self. Jung fez o conceito do Self da seguinte forma:  "O Self representa o objectivo do homem inteiro, a saber, a realização da sua totalidade e da sua individualidade, com ou contra sua vontade. A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, exactamente, com ou sem a concordância do sujeito, quer tenha consciência do que acontece, quer não.”

Jung procurou na Alquimia validar a sua teoria da individuação. Entendeu que  Percebeu que o aspecto simbólico da alquimia representa o processo de individuação, onde o alquimista busca, através de etapas, encontrar o ouro. Não se trata, entretanto, do ouro enquanto metal precioso, porém de sua simbologia enquanto preciosidade, numinosidade.

Jung reconhece que a individuação, embora seja um impulso inato, só é possível quando da participação do ego, formando o eixo ego-Self, um depende do outro.  O ego é a maneira que a consciência tem de tomar conhecimento do Self e sem este conhecimento não haverá integração de conteúdos inconscientes, nem tão pouco individuação como uma “expansão da consciência”.

adaptado do texto original de  texto de Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

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publicado por Sou às 00:21

 

 

 

Jung mergulhava no seu próprio inconsciente e trazia à luz, aspectos que o ajudavam a entender o seu mundo e o dos seus pacientes.  Muitas vezes observou, nos sonhos e fantasias dos pacientes e nas suas próprias fantasias, que os temas eram recorrentes, cujas diferenças ficavam a cargo das experiências individuais de cada um, mas o cerne do tema era o mesmo.  Ao estudar mitologia entendeu que o mito é uma projecção do inconsciente colectivo e refez a história de muitos deuses e heróis da mitologia através de uma visão psicológica.  Viu no mito uma forma de expressão do inconsciente e passou a utilizá-los no entendimento das suas própria fantasias e sonhos, como também dos seus pacientes.

A grande busca de Jung consistia em conhecer a si mesmo e o significado da vida.  Nas suas pesquisas, percebeu que a psique trilha um único objectivo, que é o encontro com seu próprio centro, a unicidade, é o retorno do ego às suas origens.  Deu então a esse objectivo da vida psíquica o nome de Individuação, que não é repentino, mas sim,  apresenta-se  como um processo.

A motivação para a individuação é inata, porém o processo, em si, só se dá no confronto do consciente com o inconsciente, o que resulta num amadurecimento dos componentes da personalidade e na união destes numa síntese, como também na realização de um indivíduo único e inteiro.

O processo de individuação é o eixo da psicologia Junguiana .  É através dele que a pessoa vai se conhecendo, retirando suas máscaras, retirando as projecções lançadas anteriormente no mundo externo e integrando-as a si mesmo.  Não se trata de um processo fácil e simples, nem tampouco ocorre linearmente.  É um processo doloroso, difícil e ocorre num movimento circunvolutório direccionado a um novo centro psíquico, o Self.

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publicado por Sou às 00:16

 

A sombra não possui, porém, somente aspectos negativos e rejeitados. Possui também aspectos que impulsionam o ser humano para a criatividade e busca de soluções, quando os recursos conscientes se esgotaram. Por sorte, a sombra é insistente e não se sente acuada com a repressão exercida pela consciência. Sempre arranja um jeito de se manifestar, a inspiração é uma destas maneiras. Uma vida sem a presença da sombra torna-se sem brilho e sem criatividade. 

Quando, para a nossa adaptação social, desenvolvemos a persona, somos obrigados a descartar vários aspectos que não condizem com a atitude da consciência naquele momento.  Estes aspectos poderão ser úteis noutra época das nossas vidas, poderão voltar, uma vez que não serão mais prejudiciais à nossa adaptação e poderão mudar o rumo de nossa história.

A sombra, quando trabalha em harmonia com o ego, deixa a vida mais colorida e rica.

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 Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

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publicado por Sou às 00:14

St John Baptist

Normalmente, reconhecer a sombra implica em "arrumar encrenca" e colocar em questionamento toda a consciência de si: os hábitos, as crenças, os valores, a afectividade, etc. É um mergulho no desconhecido, é ficar sem chão, é perder o apoio.

Sendo o confronto com a sombra um dos primeiros aspectos do processo de individuação, é necessário possuir um ego bem estruturado para reconhecer que tudo aquilo que projectamos nos outros, principalmente as coisas que menos gostamos, são nossas e de mais ninguém.

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publicado por Sou às 00:13

 

pintura trifásica

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Jung define projecção da seguinte forma:  "a projecção é um processo inconsciente automático, através do qual um conteúdo inconsciente para o sujeito é transferido para um objecto, fazendo com que este conteúdo pareça pertencer ao objecto.  A projecção cessa no momento em que se torna consciente, isto é, ao ser constatado que o conteúdo pertence ao sujeito."

 Enquanto a anima ou animus , projecta-se no sexo oposto, determinando a qualidade das relações entre os sexos, a sombra influirá nas relações com pessoas do mesmo sexo.

A sombra apresenta-se como o mais poderoso de todos os arquétipos, já que é a fonte de tudo o que existe de melhor e de pior no ser humano.  Como todo e qualquer elemento psíquico, a sombra possui aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da personalidade.

Se a persona é desenvolvida com o objectivo de facilitar a convivência do homem na sociedade onde vive, onde, então, se apresentarão aqueles conteúdos não compatíveis com esta adaptação?  A sombra é o arquétipo receptáculo dos aspectos que foram suprimidos no desenvolvimento da persona , e mais que isto, ela contém conteúdos que nem chegaram a passar pelo crivo do consciente. Estes conteúdos podem, potencialmente, emergir a qualquer momento na consciência, se considerados do ponto de vista energético.

Quanto mais unilateral se torna o consciente; tanto mais a persona é banhada de purpurina e mais acentuados são os elementos que compõem a sombra.  Importante salientar, no entanto, que a sombra não é o lado oposto da consciência, mas representa o que falta a cada personalidade consciente.

Um dos maiores trabalhos no processo de individuação, que consiste no desenvolvimento da personalidade total,  é sem dúvida a integração da sombra na consciência.  Uma vez reconhecida, a sombra, como parte de si mesmo, o ser humano irá fazê-lo constantemente, pois os conteúdos sombrios não se esgotam, porque sempre que houver processo de escolha, consciente, haverá também, o lado que ficou negligenciado ou não escolhido, aquele que poderia ter sido vivido e não foi.  Neste sentido, a sombra estará sempre ao lado do indivíduo e focaliza o resultado de suas escolhas.

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publicado por Sou às 00:10

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O animus e a anima quando são reconhecidos correctamente e são integrados ao ego, contribuirão para a maturidade do psiquismo. Jung salienta que o trabalho de integração da anima é uma tarefa difícil. Diz ele: “Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é obra-prima. A relação com a anima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais e morais do homem. Jamais devemos esquecer que, em se tratando da anima, estamos lidando com realidades psíquicas, as quais até então nunca foram apropriadas pelo homem, uma vez que se mantinham fora de seu âmbito psíquico, sob a forma de projecções.”

Anima e animus são responsáveis pelas qualidades das relações com pessoas do sexo oposto.  Enquanto inconscientes, o contacto com estes arquétipos são feitos em forma de projecções.

O homem, quando se apaixona por uma mulher, está projectando a imagem da mulher que ele tem internalizada.  É facto que a pessoa que recebe a projecção é portadora, como dizia Jung , de um “gancho” que a aceita perfeitamente.  O acto de apaixonar-se e decepcionar-se, nada mais é do que projecção e a retirada da projecção do objecto externo.  Geralmente o que se ouve é que a pessoa amada deixou de ser aquela por quem ele se apaixonou, quando na verdade ela nunca foi, só serviu como suporte da projecção de seus próprios conteúdos internos.

Para o homem a mãe é o primeiro "gancho" a receber a  projecção da anima, ainda quando menino, o que se dá inconscientemente.  Depois, com o crescimento e sua saída do ninho, o filho vai, aos poucos, retirando esta projecção e lançando-a a outras mulheres o que continua sendo um processo inconsciente.  A qualidade, do relacionamento mãe-filho , será essencial e determinará a qualidade dos relacionamentos, com outras mulheres. Salienta Jung :  "Para o filho, a anima oculta-se no poder dominador da mãe e a ligação sentimental com ela dura às vezes a vida inteira, prejudicando gravemente o destino do homem ou, inversamente, animando a sua coragem para os actos mais arrojados.”

Outros aspectos do relacionamento mãe-filho serão analisados no capítulo seguinte.

 

 

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publicado por Sou às 00:05

 

O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto.

Cada mulher, por sua vez, desenvolveu o seu arquétipo de animus através das experiências com o homem durante toda a evolução da humanidade.

Embora, anima e animus desempenhem função semelhante no homem e na mulher, não são, entretanto, o oposto exacto. Segundo Humbert , “Anima e animus não são simétricos, têm os seus efeitos próprios: possessão pelos humores para a anima inconsciente, pelas opiniões para o animus inconsciente.”

A anima, quando em estado inconsciente pode fazer com que o homem, numa possessão extrema, tenha comportamento tipicamente feminino, como alterações repentinas de humor, falta de controle emocional.

No seu aspecto positivo a anima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida.  A anima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.

A valorização social do comportamento viril no homem, desde criança, e o desencorajamento do comportamento mais agressivo nas mulheres, poderá provocar uma anima ou animus subdesenvolvidos e potencialmente carregados de energia, actuando no inconsciente.

Um animus actuando totalmente inconsciente poderá  manifestar-se de maneira também negativa, provocando alterações no comportamento e sentimentos da mulher.  Segundo Jung : “na sua primeira forma inconsciente o animus é uma instância que engendra opiniões espontâneas, não premeditadas; exerce influência dominante sobre a vida emocional da mulher.”

de texto de Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica- Pós-Graduada e Especialista Junguiana CRP 06/16672

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